A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (28/4), duas grandes operações de combate ao crime no país: uma voltada à repressão de crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes, com atuação simultânea em todos os estados brasileiros, e outra para desarticular um esquema bilionário de facilitação de contrabando e descaminho no Porto do Rio de Janeiro.
Ao comentar as ações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o fortalecimento das instituições de segurança pública e a importância da atuação integrada no enfrentamento ao crime.
“Por ações como esta que nós fortalecemos a PF. Na última semana, anunciamos a contratação de 1.000 novos policiais. Seguimos firmes no enfrentamento ao crime e na proteção da sociedade brasileira”, afirmou, em postagem em uma rede social.
PROTEÇÃO INTEGRAL IV – A Operação Nacional Proteção Integral IV tem como foco a identificação e a prisão de autores de crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Foram cumpridos simultaneamente 159 mandados de busca e apreensão em todas as unidades da Federação e 16 mandados de prisão preventiva.
A operação mobiliza 503 policiais federais, bem como 243 policiais civis dos estados da Bahia, do Distrito Federal, do Espírito Santo, de Goiás, do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul, do Pará, do Paraná, de Pernambuco, do Piauí, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul, de São Paulo e de Tocantins.
A iniciativa integra um esforço internacional coordenado, denominado Operação Internacional Aliados pela Infância VI, voltado ao enfrentamento de crimes transnacionais que violam a dignidade sexual de crianças e adolescentes. As ações ocorrem simultaneamente em 15 países: Argentina, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Espanha, França, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana e Uruguai.
Segundo a Polícia Federal, a operação reforça, no contexto do Maio Laranja, o compromisso das instituições com a prevenção e repressão ao abuso sexual infantojuvenil. Somente em 2026, a PF já cumpriu mais de 450 mandados de prisão de foragidos por crimes sexuais.
MARE LIBERUM – A segunda ofensiva, chamada Operação Mare Liberum, foi deflagrada pela Polícia Federal com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO)/Ministério Público Federal e da Corregedoria da Receita Federal para reprimir um esquema de facilitação de contrabando e descaminho no Porto do Rio de Janeiro. De acordo com a Receita Federal, foram identificadas quase 17 mil Declarações de Importação potencialmente contaminadas por irregularidades, correspondendo a cerca de R$ 86,6 bilhões em mercadorias, no período entre julho de 2021 e março de 2026.
Estão sendo cumpridos 45 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, além do afastamento de 17 auditores fiscais e 8 analistas tributários, medidas de bloqueio de bens e restrições a atividades profissionais de 9 despachantes aduaneiros.
As investigações apontam a atuação de uma organização criminosa estruturada para viabilizar a liberação irregular de mercadorias importadas, com divergências entre os produtos declarados e os efetivamente importados, além de possível supressão de tributos.
Os investigados poderão responder por crimes como corrupção, associação criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro.
