Brasil alcança melhor resultado da história em ranking da OCDE sobre dados abertos

Brasil alcança melhor resultado da história em ranking da OCDE sobre dados abertos

País fica entre os mais bem avaliados do mundo, supera nações como Reino Unido e Canadá e lidera a América Latina

1. Brasil alcança melhor resultado da história em ranking da OCDE sobre dados abertos

O Brasil alcançou o melhor desempenho da história no índice da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que avalia a efetividade das políticas governamentais de dados abertos. O OURData Index (Open, Useful and Re-usable Data Index) mede o grau de abertura, acessibilidade e reutilização de dados públicos entre países membros e parceiros da organização.

Entre 41 países analisados, o Brasil obteve 0,70 ponto em uma escala de 0 a 1, alcançando a 8ª melhor nota do mundo, a melhor pontuação da América Latina e um resultado 32% superior à média dos países da OCDE. O desempenho também coloca o país à frente de nações reconhecidas pelas políticas digitais, como Reino Unido e Canadá, e consolida o Brasil como referência regional e internacional na agenda de abertura de dados.

O índice analisa três dimensões principais das políticas de dados abertos: disponibilidade, acessibilidade e suporte ao reúso das informações públicas. O Brasil apresentou resultados especialmente expressivos nos dois primeiros pilares. No critério Disponibilidade de Dados, registrou 0,78 ponto, enquanto em Acessibilidade dos Dados alcançou 0,74. No pilar Suporte ao Reúso, o Brasil obteve 0,57, desempenho também superior à média da OCDE, de 0,40.

Os resultados refletem avanços do Governo do Brasil na publicação proativa de dados governamentais em formatos abertos e reutilizáveis, além do fortalecimento de instrumentos que ampliam o acesso e o uso dessas informações por cidadãos, pesquisadores, jornalistas, empreendedores e pela sociedade em geral.

Para o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, o reconhecimento internacional reflete a consolidação da política brasileira de dados abertos e o compromisso do presidente Lula com o fortalecimento da transparência.

“Esse resultado comprova o avanço do Brasil na agenda de transparência e Governo Aberto. Ao ampliar o acesso às informações públicas, fortalecemos o controle social, estimulamos a inovação e contribuímos para o aprimoramento das políticas públicas”, afirmou.

 A Política Nacional de Dados Abertos, coordenada pela CGU, completa 10 anos em maio deste ano e representa um marco na trajetória de ampliação da transparência, estímulo à inovação e fortalecimento do controle social. Durante o período, o governo brasileiro avançou na padronização dos processos de publicação, ampliou o número de bases de dados disponíveis e incentivou o uso das informações públicas pela sociedade.

DADOS ABERTOS — Ferramenta fundamental dessa política, o Portal Brasileiro de Dados Abertos é a principal plataforma de publicação e acesso a dados governamentais no país.

Atualmente, o portal reúne mais de 15 mil conjuntos de dados produzidos por órgãos federais e parceiros subnacionais, disponibilizados em formatos abertos e legíveis por máquina. As informações podem ser utilizadas pela sociedade civil e setores privado e público em variados tipos de iniciativas, como pesquisas acadêmicas, reportagens, desenvolvimento de aplicativos, criação de novos negócios e políticas baseadas em dados, entre outras possibilidades.

Entre 2022 e 2025, o número de conjuntos de dados publicados cresceu cerca de 50%, passando de 10.447 para mais de 15 mil bases. No mesmo período, o portal ampliou o alcance e já conta com mais de 100 mil usuários.  

TRANSPARÊNCIA E DEMOCRACIA - A CGU atua na promoção de padrões de qualidade, no estímulo à interoperabilidade entre bases públicas e na criação de soluções inovadoras a partir de dados.

Para a secretária nacional de Transparência e Acesso à Informação da CGU, Livia Sobota, a abertura de dados se tornou um instrumento estratégico para o desenvolvimento nacional. “Os dados abertos ampliam a transparência, fortalecem a democracia e contribuem para o aprimoramento de políticas públicas, para o avanço da pesquisa científica e para a dinamização da economia de dados, estimulando novos modelos de negócio e maior eficiência administrativa”, afirmou.

Segundo a secretária, a disponibilização proativa de informações também reduz a dependência da transparência passiva, ao antecipar demandas recorrentes da sociedade por dados públicos e racionalizar a atuação do Estado.

Livia destacou, ainda, que o resultado alcançado pelo Brasil no ranking da OCDE reforça a importância de investimentos contínuos em governança de dados; infraestrutura digital e estímulo ao reúso das informações públicas, colocando o país entre os protagonistas na agenda de Governo Aberto e na consolidação de um ecossistema orientado por dados.

CULTURA DE TRANSPARÊNCIA — No pilar Disponibilidade de Dados do índice da OCDE, o Brasil alcançou a terceira melhor pontuação entre os países avaliados pela organização, reforçando o avanço da política de publicação ativa de dados governamentais.

O fortalecimento da cultura de dados abertos no governo brasileiro também tem sido impulsionado por iniciativas de capacitação e integração entre órgãos públicos. Desde 2023, o Governo do Brasil, por meio da CGU e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), realiza a Semana Dados BR, evento que já levou conhecimento sobre o uso de dados para mais de 40 mil pessoas.

Em 2024, as duas pastas lançaram o Catálogo Nacional de Dados, iniciativa que reúne, em um único ambiente, os conjuntos de dados produzidos pelo Poder Executivo Federal.

Para o secretário de Governo Digital do MGI, Rogério Mascarenhas, o reconhecimento internacional comprova o avanço da governança de dados na administração pública brasileira. “Esse trabalho é fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas a partir do uso de inteligência artificial”, afirmou.

O Brasil apresentou ainda desempenho de destaque no Índice de Governo Digital da OCDE, especialmente no indicador “Abertura por Padrão” (open by default), que avalia as políticas, ferramentas e mecanismos institucionais de promoção de uma cultura de transparência e abertura de dados no governo.

INICIATIVA GLOBAL— Em 2026, o Brasil assumiu a copresidência da Parceria para Governo Aberto (Open Government Partnership – OGP), iniciativa internacional que reúne 73 países e organizações da sociedade civil para promover transparência, participação social, responsabilidade e responsividade na gestão pública. 

A copresidência é exercida pela CGU, em parceria com a advogada queniana Steph Muchai, e reforça o papel do país na promoção global de práticas de Governo Aberto.

Andreazza Joseph
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