Justiça determina que servidores mantenham aulas na rede municipal de ensino

Justiça determina que servidores mantenham aulas na rede municipal de ensino

TJGO também obriga Sintego apresentar plano de continuidade das aulas em 24 horas

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou que o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) mantenha ao menos 70% dos servidores administrativos da rede municipal de ensino de Goiânia em atividade durante a paralisação da categoria prevista para começar nesta terça-feira (12/5).

A decisão proíbe atos que impeçam o funcionamento das escolas ou o acesso a prédios públicos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 5 mil, limitada inicialmente a R$ 50 mil.

Na liminar, a Justiça determinou também a preservação prioritária das unidades de educação infantil e da alimentação escolar e a apresentação, em até 24 horas, de um plano de continuidade das atividades educacionais.

A decisão liminar foi proferida pelo desembargador plantonista Maurício Porfírio Rosa, em ação movida pela Prefeitura de Goiânia, que entrou com Ação Declaração de Ilegalidade de Greve e a suspensão imediata do movimento grevista.

Prejuízo 

Na ação, o município alegou que a greve seria abusiva por não haver esgotamento das negociações entre as partes, além da ausência de um plano concreto para garantir a continuidade mínima dos serviços educacionais. A prefeitura também apontou risco de prejuízo à coletividade, principalmente aos estudantes da rede pública.

O magistrado reconheceu que o direito de greve dos servidores públicos é garantido pela Constituição Federal e deve ser respeitado. No entanto, destacou que esse direito não é absoluto e precisa observar limites relacionados à continuidade dos serviços públicos essenciais.

Segundo a decisão, o sindicato comunicou previamente a paralisação dentro do prazo legal previsto na Lei de Greve (Lei nº 7.783/1989). Apesar disso, o desembargador entendeu que o Sintego não apresentou um planejamento operacional detalhado para assegurar o funcionamento mínimo das unidades escolares.

O desembargador Maurício Porfírio Rosa apontou que não houve demonstração objetiva sobre o número de servidores que permanecerão trabalhando; de quais escolas continuarão funcionando; de como será feita a manutenção da alimentação escolar; de como vai funcionar o atendimento na educação infantil, e nem as medidas emergenciais para evitar interrupções no serviço.

Outro ponto considerado pela Justiça foi o fato de o sindicato ter solicitado audiência urgente para continuidade das negociações com a prefeitura, o que, segundo a decisão, demonstra que ainda há diálogo institucional em andamento.  Apesar disso,  o desembargador negou o pedido de suspensão total da greve. Para ele, impedir integralmente o movimento seria uma medida extrema e representaria restrição severa a um direito constitucional dos servidores.

Avanços 

Depois de herdar uma administração em grave crise financeira, a gestão do prefeito Sandro Mabel tem transformado a educação municipal. Superou um cenário de déficit de 10 mil crianças na lista de espera para a educação infantil, escolas e creches com estruturas precárias, algumas com mais de 40 anos sem reforma geral, e falta de servidores. Os resultados incluem premiações nacionais, como o Selo Ouro do Compromisso Nacional com a Alfabetização, do MEC, pelo segundo ano consecutivo, e referência do Inep em alfabetização.

Em 2025, a prefeitura investiu R$ 2 bilhões na rede municipal de ensino, sendo R$ 1,7 bilhão com folha de pagamento. Foi garantido o piso salarial nacional dos professores e a data-base dos servidores administrativos. Além disso, o prefeito Sandro Mabel encaminhou R$ 222 milhões diretamente às unidades escolares, adquiriu lousas eletrônicas para todas elas e concedeu auxílio de R$ 850 aos administrativos em julho, totalizando R$ 5,2 milhões. 

No fim do ano passado, a gestão municipal liberou bônus de R$ 5 mil a R$ 10 mil para cada profissional, com investimento de R$ 79 milhões. Para este ano a Prefeitura de Goiânia concluiu o impacto financeiro para pagamento do piso nacional dos professores e da data-base dos administrativos para o encaminhamento do projeto de lei à Câmara Municipal. Sobre o plano de carreira dos servidores administrativos, o avanço depende de estudos de viabilidade financeira e orçamentária. 

Foto: Divulgação / Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) - Prefeitura de Goiânia

 

Andreazza Joseph
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