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PAN DE SANTIAGO Em dia de oito ouros, Brasil supera 100 medalhas e chega à terceira posição geral

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País soma 34 ouros, 39 pratas e 33 bronzes, a um ouro de ultrapassar o México na vice-liderança. Dos 106 pódios conquistados até agora, 98 tiveram a presença de integrantes do Bolsa Atleta

Meninas do handebol conquistaram o ouro e a vaga olímpica em Paris: modalidade chegou ao título do Pan pela sétima vez consecutiva. Foto: Alexandre Loureiro/COB

Quando soou o apito final no Ginásio Polidesportivo de Viña del Mar, no Chile, na noite deste domingo (29/10), a delegação brasileira no Pan de Santiago encerrou uma jornada repleta de simbologias. Na quadra, a equipe feminina de handebol derrotou sem sustos a Argentina por 30 x 18 na final, garantiu a vaga para os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, e selou o heptacampeonato consecutivo em Jogos Pan-Americanos, uma hegemonia indiscutível.

A conquista do handebol foi o oitavo ouro brasileiro neste domingo, o melhor dia para o país desde o início da competição continental no Chile, que segue até o dia 5 de novembro. O país também teve ouros no basquete feminino, na canoagem slalom (três), no judô (dois) e no tênis (um).

Neste domingo, o Time Brasil superou a marca das 100 medalhas, atingiu 106 no total e ultrapassou o Canadá na terceira colocação no quadro geral da competição. Agora, são 34 ouros, 39 pratas e 33 bronzes nacionais, contra 33 ouros dos canadenses, que acumulam 98 medalhas.

A delegação do Brasil dormiu a um ouro de superar também o México e chegar à segunda posição geral. Os mexicanos somam 35 ouros e 88 medalhas (veja abaixo). O topo do quadro segue com os Estados Unidos, com 68 ouros e 163 medalhas. Outro recorte marcante é o de gênero. Dos 34 ouros nacionais, 17 vieram no feminino, contra 16 no masculino e 1 nas disputas mistas. As mulheres somam 51 medalhas e os homens, 47. As provas mistas acumulam oito pódios.

Brasil aparece em terceiro no geral, a um ouro do México para assumir a vice-liderança e com predominância feminina nos pódios até agora. Fonte: santiago2023.org

DIGITAL DO BOLSA ATLETA – A performance sinaliza também a onipresença do Bolsa Atleta, o programa de patrocínio direto a atletas de alto desempenho do Governo Federal. Das 106 medalhas conquistadas, apenas oito não têm a digital de bolsistas do programa do Ministério do Esporte. Ao todo, 169 atletas brasileiros já subiram ao pódio no Pan, e 127 deles integram o Bolsa Atleta (75,14%).

DESTAQUES DO DIA

 

30102023_judo.jpgMais quatro pódios para a conta do judô: Daniel Cargnin (prata), Ketleyn Quadros (bronze) e os ouros com Gabriel Falcão e Guilherme Schimidt. Foto: Anderson Neves/CBJ 

JUDÔ DOMINANTE – A dominância do Brasil no Centro de Esporte de Contato segue a passos largos para transformar a campanha de 2023 na melhor da história do país nos tatames dos Jogos Pan-Americanos. Das nove medalhas de ouro disputadas até agora, seis já vieram para o Brasil. O país soma dez pódios (além dos seis ouros, uma prata e três bronzes). A melhor campanha da história do país até hoje ocorreu no em 2011, em Guadalajara, no México. Na ocasião, foram seis ouros, três pratas e quatro bronzes. Com mais dois dias de competição, a chance de o Brasil superar essa marca é muito factível.

Fiquei muito feliz com essa conquista. Era um adversário que eu já tinha vencido em outra ocasião. A torcida contra me motivou ainda mais a trazer essa medalha para o Brasil”

Guilherme Schimidt, ouro na categoria 81kg

Dois dos ouros entraram na conta neste domingo, com Gabriel Falcão (até 73kg) e Guilherme Schimidt (81kg). O país também subiu ao pódio com Daniel Cargnin, prata na categoria até 73kg (seria uma final 100% brasileira, mas Cargnin se lesionou na semi e não lutou a final), e Ketleyn Quadros (63kg), que faturou o bronze no peso meio-leve feminino.

Uma das lutas que mais chamou a atenção no dia foi a final da categoria até 81kg, entre Guilherme Schimidt e o chileno Jorge Daniel Pérez. Diante de um ginásio lotado, da presença do presidente Gabriel Boric na arquibancada e de uma torcida que deu total suporte ao judoca da casa, Guilherme soube segurar o ímpeto inicial do adversário, aplicar um Waza Ari e finalizar o combate com uma imobilização em 1min34s de luta.

“Fiquei muito feliz com essa conquista. Era um adversário que eu já tinha vencido em outra ocasião e, inclusive, há um tempo atrás ele fez um treino comigo em Minas. Acho que ele sentiu bastante meu ritmo de luta e consegui essa vitória. Essa torcida contra me motivou ainda mais a trazer essa medalha para o Brasil”, disse Schimidt, que anteriormente já havia superado o canadense David Popovic e o dominicano Medickson Del Orbe com imobilizações.

O judô no Pan continua nesta segunda-feira (30), com mais sete brasileiros na busca por medalhas: Rafael Macedo (90kg), Kayo Santos (100kg), Leonardo Gonçalves (100kg), Rafael Silva “Baby” (+100kg), Eliza Ramos (78kg), Samanta Soares (78kg) e Beatriz Souza (+78kg). As preliminares começam às 10h (horário de Brasília), com finais a partir das 15h.

BASQUETE BI E PENTA – É bicampeão. É pentacampeão. A seleção feminina de basquete derrotou a Colômbia por 50 x 40 na noite deste domingo e conquistou a medalha de ouro nos Jogos de Santiago. O título significa o bicampeonato consecutivo e o pentacampeonato alternado (além do título em 2019, o Brasil também tinha no currículo os ouros em 1967, 1971 e 1991). “Cada jogo é um jogo. Sabíamos que elas iriam com toda a fome. Quem não quer uma medalha de ouro no peito? Conseguimos fazer o nosso papel e conquistar a vitória. Treinamos e sabíamos da força delas. Vamos mirar agora o Pré-Olímpico. É continuar o trabalho e chegar lá”, disse a pivô Érika.

Equipe de basquete feminino no topo do pódio pela segunda vez consecutiva nos Jogos Pan-Americanos. Foto: Miriam Jeske/COB

TÊNIS DE OURO – O tênis brasileiro encerrou a participação em grande estilo. Neste domingo, Laura Pigossi conquistou o seu segundo ouro nesta edição, ao vencer a argentina Lourdes Carle por 2 sets a 0, parciais de 6/2 e 6/3. O resultado colocou o Brasil de volta no topo do pódio na chave de simples feminina depois de 36 anos. O feito não acontecia desde Indianapolis (EUA), em 1987, quando Gisele Miró foi campeã.

Sempre me falaram que a atitude de quem era medalhista olímpico, de quem ia para Jogos Olímpicos e a atitude de quem conquista uma medalha de ouro era diferente. Vim para cá decidida, queria a vaga em Paris 2024, queria a medalha de ouro individual e consegui”

Laura Pigossi, ouro no individual e na dupla feminina do tênis, ao lado de Luisa Stefani

A conquista veio um dia depois de Laura comemorar o ouro nas duplas femininas, ao lado de Luisa Stefani, e de garantir a classificação para os Jogos de Paris 2024, ao avançar para a decisão de simples. A paulistana se igualou a Maria Esther Bueno como única mulher brasileira campeã dos Jogos Pan-Americanos em simples e duplas. Em São Paulo 1963, a lendária ex-atleta venceu a disputa individual e comemorou o título em parceria com Maureen Schwartz.

“Foi uma semana perfeita. Aprendi muito. Em toda minha vida, eu sempre tive uma psicóloga e ela sempre me falou que a atitude de quem era medalhista olímpico, de quem ia para os Jogos Olímpicos e a atitude de quem conquista uma medalha de ouro era diferente. E depois de Tóquio (foi bronze ao lado de Luisa Stefani), senti isso na pele e vim para cá decidida, queria conseguir a vaga em Paris 2024, queria conseguir a medalha de ouro individual e consegui. Nem meu cansaço me fez perder o foco disso”, disse Laura, após a final.

Em Santiago, o Brasil conquistou cinco medalhas (três ouros, uma prata e um bronze) e terminou na liderança do quadro de medalhas da modalidade: além do título de simples, vieram os ouros nas duplas feminina (Laura Pigossi e Luisa Stefani) e masculina (com Marcelo Demoliner e Gustavo Heide), além da prata nas duplas mistas (Marcelo e Luisa) e o bronze no simples masculino (Thiago Monteiro).

Thiago venceu Gustavo Heide neste domingo na disputa doméstica pelo terceiro lugar, por 2 a 1, com 1/6, 6/3 e 7/6 (5). O país concretizou o segundo melhor desempenho em Jogos Pan-Americanos, atrás apenas do Pan de São Paulo, 60 anos atrás. Na ocasião, a delegação tinha, além de Maria Esther Bueno, nomes como Tomas Koch e Roland Barnes.

 

Laura Pigossi: ouro no individual e na dupla, ao lado de Luisa Stefani. Foto: Alexandre Loureiro / COB

BRILHO NA SLALOM – O Brasil esteve em todas as finais da canoagem slalom e conquistou medalha em todas. Foram seis pódios, com três ouros e três pratas, além da liderança no quadro de medalhas interno da modalidade. A segunda colocação ficou com os Estados Unidos, com três ouros e um bronze.

Ana Sátila foi o grande destaque. Venceu as disputas na C1 e na K1 Cross e se tornou a maior medalhista do país em Jogos Pan-Americanos. O outro ouro veio no K1 cross, com Guilherme Mapelli. As outras três foram de prata: Kauã da Silva na C1, Pedro Gonçalves na K1 e Omiria Estácia na K1. As provas foram disputadas no Rio Aconcagua, na cidade de Los Andes, a 80 quilômetros de Santiago.

Com as conquistas, Ana Sátila chega à quinta medalha de ouro na história dos Jogos Pan-americanos. “Esse fim de semana foi muito especial para mim. Tem tanta coisa boa acontecendo e ter conhecido esse país, as pessoas. O ambiente, para mim, foi envolvente. Venho de uma temporada longa, um pouco cansada, e voltar com o melhor resultado que eu poderia não podia ser mais especial”, celebrou.

 

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Ana Sátila conquistou dois ouros na canoagem slalom. Foto:-Gaspar Nóbrega / COB

ÁGUAS ABERTAS – A água gelada da Laguna dos Morros registrava 17º e, por pouco, a prova feminina de águas abertas não foi cancelada. Vestidas com roupas que protegem e ajudam a manter os corpos aquecidos – as atletas caíram na água às 9h para a disputa dos 10km. Entre elas, as brasileiras Ana Marcela Cunha, multicampeã mundial e ouro olímpico, e Viviane Jungblut, destaque nacional nas provas de fundo e nas maratonas aquáticas. Após os 10km, dobradinha brasileira no pódio: Ana Marcela conquistou a prata e Viviane, o bronze. O ouro ficou com a norte-americana Ashley Grace Twichell.

“Foi uma prova muito difícil para mim porque foi justamente usando o traje que me lesionei, e estava há um ano e seis meses sem usar. Então, fica sempre aquele receio. O mais importante foi que nadei no meu ritmo, sem sentir dores. É claro que a gente sempre quer o ouro, mas a forma como nadei aqui me deixou satisfeita”, comentou Ana Marcela, que se submeteu a uma cirurgia no ombro há 11 meses.

“Deixei meu 100% na água e fico feliz por ter ganho mais uma medalha”, disse Viviane, que foi bronze também nas provas de natação dos 800m e dos 1500m. A atleta conseguiu o feito de conquistar medalhas na natação e nas águas abertas em duas edições seguidas de Jogos Pan-Americanos.

 

Dobradinha de prata e bronze nas águas abertas: Ana Marcela e Viviane Jungblut. Foto: Satiro Sodré / CBDA

Tive que ganhar de um medalhista de prata em Mundial, do último campeão dos Jogos Pan-americanos e do canadense medalhista olímpico e mundial e campeão do Pan em 2015″

Caio Bonfim, prata na marcha atlética

PRATA DE CAIO – Em uma prova que envolveu medalhistas olímpicos e campeões mundiais e pan-americanos, Caio Bonfim conquistou a prata nos 20km da marcha atlética 20km. O brasileiro completou o percurso em 1h19m24s, quatro centésimos abaixo do vencedor, o equatoriano David Hurtado. O bronze ficou com o mexicano Eduardo Olivas, com 1h29m56.

“Foi uma prova dura, de nível altíssimo. Tive que ganhar de um medalhista de prata em Mundial, do último campeão dos Jogos Pan-americanos e do canadense medalhista olímpico e mundial e campeão do Pan em 2015. Todas as provas internacionais que fiz este ano foram abaixo de 1h20m. Tive um excelente ano e vou com tudo para a prova nova do revezamento com a Viviane Lyra, no sábado, 4”, afirmou Caio, que também projeta muita dedicação até os Jogos de Paris 2024, para os quais já tem índice. Essa foi a terceira medalha do brasileiro em Jogos Pan-americanos, já que ele também foi ao pódio em Toronto 2015, com o bronze, e em Lima 2019, com a prata.

 

Prata em Santiago representa o terceiro pódio consecutivo de Caio Bonfim em Jogos Pan-Americanos. Foto: Miriam Jeske / COB

HIPISMO CCE EM PARIS – A equipe brasileira de hipismo CCE conquistou o bronze por equipes e, com isso, carimbou a vaga olímpica para Paris 2024. Os Estados Unidos, anteriormente qualificados para Jogos Olímpicos, foram prata e o Canadá, ouro, também carimbando o passaporte para Paris. O brasileiro Marcio Jorge Carvalho, com Castle Howard Casanova, garantiu a inédita prata individual.

FUTEBOL NA SEMI – A Seleção masculina de futebol venceu Honduras por 3 a 0 neste domingo, no Estádio Sausalito, em Viña del Mar, pela última rodada da fase de grupos. Ronald, Gustavo Martins e Thauan Lara foram os autores dos gols do Brasil. Com nove pontos e 100% de aproveitamento, a equipe enfrenta México ou República Dominicana pela semifinal, na próxima quarta-feira (1/11), às 20h. A equipe soma seis gols marcados e nenhum sofrido.

TÊNIS DE MESA NO PÓDIO – O Brasil começou as competições de tênis de mesa com três medalhas garantidas. Neste domingo, Hugo Calderano e Vitor Ishiy, nas duplas masculinas, as irmãs Bruna e Giulia Takahashi, nas duplas femininas, e a dupla mista formada por Vitor e Bruna venceram os jogos de oitavas e quartas de final, e garantiram um lugar entre os quatro primeiros. Como na modalidade não há disputa de terceiro, todos já asseguraram pelo menos o bronze.

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Andreazza Joseph é um dos muitos potiguares talentosos que estão espalhados pelo mundo, multifacetado, possuindo formação em Direito e Jornalismo, além de atuar como produtor audiovisual na AgênciAzzA. Com sua paixão pela cultura nordestina, ele se destaca como um cordelista e multi-instrumentista. Sua habilidade em diversas áreas o torna uma figura versátil e criativa, trazendo uma perspectiva única para cada matéria que escreve."

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Ministério do Esporte e embaixadas africanas comemoram Dia Mundial da África com partida de futebol

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A reaproximação com nações africanas é uma das diretrizes da política externa do governo do presidente Lula

No ultimo sábado 25 de maio, foi celebrado o Dia Mundial da África, data que marca a luta contra a colonização europeia. Desde a criação da Organização de Unidade Africana em 1972, atual União Africana, o 25 de maio representa a busca de vários povos do continente por desenvolvimento, democracia e liberdade.

Em comemoração ao Dia Mundial da África, o Ministério do Esporte e as embaixadas africanas, representadas pelo Zimbábue, irão realizar uma partida de futebol no dia 28 de maio, entre integrantes dos ministérios do Esporte, Relações Exteriores e das embaixadas africanas.

As equipes que disputarão essa partida comemorativa serão compostas por atletas masculinos e femininos num reconhecimento ao crescimento do futebol feminino no Brasil também como forma de registrar a importante conquista do Brasil que será a sede da Copa Mundial de Futebol Feminino em 2027.

“A colaboração com países africanos abre novas oportunidades para o desenvolvimento econômico, comercial e industrial, beneficiando as duas regiões.  A aproximação entre seu povo, entidades públicas e seus integrantes fortalece as relações diplomáticas, ajuda a construir um cenário internacional mais equilibrado e colaborativo, além de reforçar a inserção internacional do Brasil”, afirmou o ministro do Esporte, André Fufuca.

A aproximação das entidades reforça a identidade cultural e histórica comum, incentivando a troca cultural e o fortalecimento de laços que existem a séculos. O continente africano conta com o maior número de países, etnias, povos e línguas. Além disso, possui uma das maiores diversidades culturais do Planeta. Essa data, formalmente conhecida como dia da libertação africana, tem sua origem na resistência coletiva do povo deste continente ao colonialismo e à exploração econômica, com o objetivo de destacar a contínua luta coletiva contra as adversidades.

Em declarações recentes, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, mencionou como uma das diretrizes da política externa do seu governo a reaproximação com nações africanas. “O relançamento da relação com a África é um reencontro do Brasil consigo mesmo”, afirmou o presidente Lula em seu discurso no dia 25 de maio de 2023, em comemoração à data.

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